2010-03-23
DOMINGO DA RESSURREIÇÃO
04/04/2010
Iª LEITURA - At 10,34a.37-43
A Igreja de Jerusalém corria o risco de esclerosar-se. Fechada em Jerusalém e bitolada ao judaísmo. Havia necessidade urgente de abertura. E é Pedro o primeiro a romper o esquema com a abertura aos pagãos. O texto proposto pela liturgia de hoje salienta parte do sermão de Pedro: seu anúncio sobre Jesus Cristo aos pagãos. Em poucas palavras ele anuncia a atividade de Jesus de Nazaré a partir do batismo pregado por João.
O anúncio de Pedro sobre Jesus:
- Apresenta o itinerário de Jesus: depois do batismo de João, partiu da Galiléia e percorreu toda a Judéia.
- Deus ungiu Jesus com o Espírito Santo e com poder.
- O que Jesus fez é sintetizado no v. 38: “por toda a parte ele andou fazendo o bem, e curando a todos os que estavam dominados pelo diabo, pois Deus estava com ele”. O que significa curar todos os que estavam dominados pelo diabo? Se levarmos em conta que o diabo estava diretamente relacionado com tudo o que divide, descrimina, aliena, oprime com tudo o que é mentira, erro e pecado, com todo o tipo de doença, física, mental, então começaremos a entender toda a atividade de Jesus. O que Jesus queria era uma sociedade justa e fraterna com homens livres, respeitosos da dignidade uns dos outros.
O testemunho de Pedro com os apóstolos
Eles testemunham três atividades – a de Jesus a favor do povo – a dos judeus contra Jesus – a de Deus em favor de Jesus. A ação de Jesus foi mencionada acima. Os judeus mataram Jesus, suspendendo-o numa cruz, mas Deus o ressuscitou ao terceiro dia e lhe concedeu aparecer às suas testemunhas e até mesmo tomar refeições com elas.
- Em seguida Pedro fala sobre a missão que Jesus deu aos apóstolos: pregar e testemunhar que Deus o constituiu juiz dos vivos e dos mortos.
- Pedro termina anunciando o que todos os pregadores (= profetas) testemunham: a necessidade da fé em Jesus para receber o perdão dos pecados.
O que Jesus quer da sua Igreja hoje? Expulsão de demônios no sentido literal como estão fazendo diversas seitas, ou luta pela implantação do Reino com a expulsão do demônio da opressão, da injustiça, da alienação, da exclusão, enfim de toda a forma de pecado?
2ª LEITURA – Cl 3,1-4
No capítulo 2o Paulo falou sobre o batismo, através do qual o cristão participa da morte e ressurreição de Cristo. Como Cristo morreu e foi sepultado, o cristão também, coberto pela água do batismo, morre para o mundo do pecado. Como Cristo ressuscitou para uma vida nova, também o cristão, emergindo da água, ressuscita para uma vida nova com Cristo. Aqui Paulo conclui o seu raciocínio. Se os cristãos ressuscitaram com Cristo, eles não pertencem mais a este mundo de pecado. Eles têm agora um compromisso novo; não pecar nem buscar mais as coisas da terra, mas sim as coisas do alto, do céu, de onde Cristo reina. A vida do cristão é Cristo; sua vida está escondida em Cristo no céu. Para as coisas do mundo, o cristão já está morto. A vida do cristão só aparece gloriosa junto com Cristo, quando Cristo, que é sua vida, aparecer na sua glória. Que cristão é este que tem a obrigação de viver como se já estivesse ressuscitado? Esse cristão é você, sou eu, somos todos nós. Que estamos esperando para vivermos em profundidade o sentido do nosso batismo?
EVANGELHO - Jo 20,1-9
a) Maria Madalena e o túmulo vazio
No 1o dia da semana (dia de domingo) - o dia da nova criação, Maria Madalena vai ao túmulo. Ela vai visitar o cadáver de Jesus. Ela simboliza a comunidade sem fé, caminhando ainda no escuro. Ela acha que roubaram o corpo de Jesus. Quem não tem fé busca explicações racionais para tudo: houve um roubo. É isso que ela transmite para Pedro e para o discípulo que Jesus amava.
b) Os dois discípulos vão ao túmulo
A comunidade por falta de fé não estava reunida. Os dois discípulos correm ao túmulo. O discípulo que Jesus amava chega primeiro, não simplesmente porque é mais jovem, mas por causa do amor. Quem ama chega mais rápido, entende mais, acolhe mais, aceita mais. Por respeito ele não entra, apenas se inclina e vê os panos de linho estendidos. Simbolicamente, o túmulo é para João a cama nupcial, não lugar de morte, mas lugar de encontro com o Senhor da vida com a comunidade-esposa. Pedro chega, olha e vê tudo: os panos de linho estendidos e o sudário dobrado num lugar à parte. Ladrões não teriam este cuidado de deixar as coisas arrumadinhas. O corpo de Jesus, portanto, não foi roubado. Mas Pedro não chega a conclusões maiores. Ele representa como Maria Madalena neste momento a comunidade ainda incrédula. Então o outro discípulo entrou também. Ele viu e acreditou. Quem ama tem intenções profundas e vai mais longe. O discípulo que Jesus amava percebeu claramente que Jesus ressuscitou.
2º DOMINGO DA PÁSCOA
11/04/2010
Iª LEITURA – At 5,12-16
O texto de hoje é um sumário. Temos vários nos Atos dos Apóstolos. Sumário é um resumo das atividades apostólicas, uma síntese da caminhada, um retrato da Igreja, uma visão de conjunto, às vezes, idealizada (cf. 2,42-47; 4,32-37). No episódio anterior Ananias e Safira tentam corromper a comunidade, evitando a partilha e a comunhão. Aqui Lucas mostra a partir dos fatos o ideal da comunidade. O que temos de bonito, na comunidade?
Do lado de dentro
- eles se reuniam em grupo. Hoje temos o grupo na liturgia eucarística e grupinhos de oração e reflexões da Palavra de Deus e as diversas pastorais. O importante é a união.
- Os outros sumários falam da oração e da partilha do pão e comunhão entre eles (cf. 2,42ss).
- O testemunho suscita adesão em massa. A comunidade não se fechava. Vemos aqui um modelo alternativo de comunidade em contraposição à sociedade egoísta (Ananias e Safira) e competitiva.
Do lado de fora ou para fora
- Os apóstolos realizam sinais e prodígios.
- A comunidade era elogiada pelos de fora.
- Alguns de fora reagem e perseguem a comunidade (vv. 13.17ss).
- O povo trazia doentes para as praças em esteiras e camas em busca de milagres.
- Como no deserto Deus protegia o povo com sua sombra. Aqui até a sombra de Pedro realiza prodígios.
- Até doentes e endemoninhados de cidades vizinhas procuravam os apóstolos e eram curados.
Percebemos que a Igreja continua na pessoa dos apóstolos a atividade de Jesus. A Igreja se tornou vida para os excluídos.
O que a Igreja faz hoje de maravilhoso para o povo, principalmente para os excluídos?
2ª – LEITURA – Ap 1,9-11a.12-13.17-18
A experiência que João comunica
O v. 9 revela a experiência e solidariedade do autor com os destinatários. O autor se considera irmão e companheiro, participante da mesma Igreja sofredora, perseguida. Ele se encontra exilado na ilha de Patmos. Exilado por quê? Porque anunciou a Palavra de resistência e combate à opressão e ao mal e deu testemunho de Jesus. Apocalipses são escritos de épocas de crise para trazer força, coragem, perseverança e incentivo à luta. Trazem também consolação e esperança, pois o cristão luta carregando consigo a certeza e o entusiasmo da vitória, que já foi antecipada na ressurreição de Jesus. O autor vai relatar a experiência que ele teve no dia do Senhor, isto é, no dia de Domingo (v. 10). Ele deve depois enviar seu escrito às sete igrejas. O número sete está carregado de simbolismo de totalidade. O escrito deve ser lido pela Igreja na sua universalidade. “Sete” aqui significa, portanto, todas as comunidades cristãs.
A visão e descrição do Filho do Homem que é Jesus
O autor vê sete candelabros de ouro. Representam a Igreja, preciosa aos olhos de Deus. O Filho do Homem está agindo no meio dos candelabros. Isto significa que Jesus está atuando dentro da Igreja. Ele não se esqueceu dos que sofrem. Os vv. 13ss descrevem simbolicamente Jesus ressuscitado. A liturgia hoje salienta apenas a túnica longa representando o sacerdócio de Jesus e o cinto de ouro, símbolo de sua realeza. Ele é sacerdote que intercede, purifica e santifica as comunidades. É também o rei que carrega antecipadamente a vitória sobre os exércitos do mal. Como rei ele exerce também o julgamento sobre as potências contrárias ao reino.
João reage caindo aos pés da divindade, mas Jesus o conforta e encoraja. Quem tem fé não precisa ter medo, pois Jesus é o Senhor da história (o primeiro e o último). Ele é o vivente, aquele que ressuscitou para viver para sempre e exercer o domínio sobre a mansão dos mortos. O v. 19 é a ordem de escrever o que João viu, ou seja, as coisas que estão acontecendo nas comunidades (capítulo 2 e 3) e as coisas que devem acontecer depois (capítulos 4 - 22), ou seja, o julgamento dos infiéis e a vitória das comunidades, vistos à luz da vitória de Cristo ressuscitado. A experiência que você tem de Jesus o encoraja na luta por um mundo melhor?
EVANGELHO - Jo 20,19-31
a) A criação da comunidade messiânica (vv. 19-23)
Estamos no Domingo de Páscoa. Com sua vitória sobre a morte Jesus inaugura uma nova era. Percebe-se claramente um contexto de celebração eucarística (é o 1o dia da semana = dia de Domingo. “Ao anoitecer” lembra o costume dos cristãos celebrarem a eucaristia na tarde de Domingo. A presença de Jesus no meio da comunidade alude à presença eucarística. Tudo isto lembra a eucaristia). Os discípulos ainda estão com medo, por isso as portas estão fechadas. Mas com seu corpo ressuscitado Jesus entra assim mesmo e tranquiliza os discípulos, trazendo-lhes a paz daquele que é o Senhor da vida. Os discípulos recobram a alegria ao verem Jesus. Nos vv. 21-23 temos o envio missionário. Os discípulos devem continuar a missão de Jesus sob a garantia do Espírito Santo. Para isso Jesus faz uma nova criação. O sopro de Jesus relembra o sopro de Deus ao criar o homem. Sopro significa ar, vento, espírito, hálito vital. É o Pentecostes acontecendo no Evangelho de João. Os discípulos recebem o Espírito Santo. O projeto de Deus iniciado por Jesus deve ser continuado. Eis a síntese do projeto de Jesus: “Os pecados daqueles a quem vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados.” Pecado para João significa aderir à sociedade injusta que matou Jesus e continua excluindo e oprimindo os filhos de Deus. “pecados” no plural são atos concretos daqueles que estão no pecado de uma opção por um modo injusto de viver, contrário ao projeto de Deus. Quem quiser aderir ao projeto de Jesus pode receber através dos apóstolos e seus sucessores o perdão dos pecados. Infelizmente não é todo mundo que topa. Estes permanecem no seu pecado.
b) A fé amadurecida (vv. 24-29)
O episódio de Tomé ensina que ver Jesus pessoalmente não é o mais importante, pois muitos viram e não acreditaram. Importante é a fé. As testemunhas oculares não estão num plano superior em relação aos que não viram Jesus pessoalmente. Feliz não é quem viu, mas quem aqui e agora acredita em Jesus e adere ao seu projeto de vida que inclui todos os excluídos. Num primeiro momento, Tomé simboliza todos os adeptos de uma religião milagreira. É preciso ver para crer. Aqui estão os adeptos das seitas e uma grande parte de católicos que só andam atrás de milagres, mas não assumem nenhum compromisso com a Igreja. Num segundo momento, Tomé simboliza uma fé autêntica e comprometida com Jesus reconhecendo-o o Senhor e Deus.
Uma inclusão do evangelho (vv. 30-31)
Primitivamente o evangelho de João terminava aqui. Depois foi acrescentado o capítulo 21 que também é inspirado. Os versículos 30-31 mostram a função dos sinais. A palavra sinal substitui em João a palavra milagre usada pelos outros evangelistas. A finalidade dos sinais é suscitar a fé e adesão ao projeto de Jesus. Ele é o Messias, o Filho de Deus. Aderir a ele é buscar a vida.
Qual a diferença entre o “pecado” e “pecados”? O que é mesmo ter fé? Você se sente um missionário, alguém renovado pelo sopro de Jesus, e enviado?
3º DOMINGO DA PÁSCOA
18/04/2010
Iª LEITURA – At 5,27b.32.40b-41
a) É preciso obedecer antes a Deus que aos homens
Vimos no Domingo anterior que do lado de dentro da comunidade havia uma verdadeira fraternidade, paz e comunhão de vida, mas que do lado de fora havia os que rejeitavam a comunidade. O texto de hoje mostra a rejeição dos chefes do povo. Do mesmo jeito que mataram o autor da novidade cristã procuram matar também seus pregadores. Os discípulos são levados diante do Sinédrio (= tribunal judeu) porque não obedeceram à ordem de não ensinar em nome de Jesus. Além disso, eles revelam o projeto assassínio dos chefes dos judeus. Pedro e os outros apóstolos deixam um recado bem importante e claro: “É preciso obedecer antes a Deus que aos homens”.
b) Os diversos papéis diante de Jesus
Temos aqui a contraposição da ação de Deus diante da ação dos homens. Qual é a ação dos homens: mataram Jesus com a morte de cruz. Qual é a ação de Deus: ele ressuscitou Jesus e o exaltou, tornando-o Chefe Supremo e Salvador. Qual é a finalidade dessa ação de Deus? É para dar ao povo oportunidade de se arrepender e receber o perdão dos pecados. Qual é a ação dos apóstolos e de nós hoje? Ser juntamente com o Espírito Santo testemunhas de tudo o que aconteceu com Jesus.
c) Açoites e libertação
Os vv. 40-41 mostram de novo, em primeiro lugar, o anti-projeto das instituições: “Chamaram os apóstolos, mandaram açoitá-los, proibiram que eles falassem no nome de Jesus e soltaram-nos.” Querem intimidar os apóstolos, impedir o avanço da Palavra, mas isto é impossível. Em segundo lugar temos a reação dos discípulos. Reação possível apenas àqueles que estão imbuídos do projeto de Jesus, cheios do Espírito Santo e querem identificar-se com Jesus em sua vida e em seu martírio. De fato o v. 41 diz: “Os apóstolos saíram do Conselho, alegres por terem sido considerados dignos de injúrias por causa do santo Nome.” Estamos arrependidos de nossos pecados e engajados no projeto de Jesus a tal ponto de suportarmos críticas, insultos e sofrimentos por causa de Jesus e seu projeto?
2ª LEITURA – Ap 5,11-14
a) Qual é o significado das liturgias ou cantos de louvor no Apocalipse?
Como lembramos no Domingo passado o Apocalipse quer dar força e coragem, animar na perseverança e incentivar na luta diante das perseguições e agressões do Império perseguidor. Nesse sentido o Apocalipse de S. João apresenta em quase todas as suas páginas um canto de louvor, um canto de vitória de Jesus. As comunidades, mesmo em pleno sofrimento e luta e até enfrentando a morte com Jesus carregam a certeza da vitória e da glória com ele. É assim que o apocalipse reanima a esperança das comunidades perseguidas.
b) O que temos no nosso texto
No texto de hoje temos uma solene liturgia universal cantando a vitória de Jesus, sua realeza e sua divindade. Essa liturgia começa (vv. 9-12) e termina no céu (v. 14), mas o v. 13 mostra todo o universo, céus, terra e abismos cantando louvores ao Cordeiro imolado.
c) Quem canta?
O v. 11 cita uma multidão imensa de anjos, os quatro seres vivos e os vinte e quatro anciãos (cf. v. 8). E o v. 13 fala de todas as criaturas do céu, da terra, debaixo da terra e do mar, quer dizer, todos os seres vivos.
d) E o que cantavam?
Cantam um louvor ao Cordeiro imolado, ou seja, a Jesus morto e ressuscitado. Jesus se tornou o Senhor do universo inteiro. Então a ele e só a ele são feitas sete atribuições (o número sete deve lembrar a perfeição total). Quais são essas atribuições? São o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e o louvor (v. 12).
e) Quem é o Cordeiro imolado
É interessante que o v. 13 mostra que a mesma honra, glória e poder que pertencem ao Pai, pertencem também ao Cordeiro para sempre. Quer dizer, Jesus é Deus. O v. 14 ainda confirma tudo com o Amém solene dos Quatro Seres Vivos e com a adoração dos 24 anciãos.
f) Termos simbólicos
Os 4 seres vivos: simbolizam os 4 anjos que governam o mundo físico, ou a força de Deus que governa e dirige toda a história. O número 4 simboliza a totalidade do mundo criado. Os 24 anciãos simbolizam os santos, ou representantes de Deus do Primeiro Testamento e do Segundo Testamento (12 tribos de Israel + 12 apóstolos), quer dizer, o antigo e o novo povo de Deus.
EVANGELHO – Jo 21,1-19
Vv. 1-14 – Só a presença de Jesus ajuda a superar a crise.
Estamos num contexto eucarístico e de missão. A menção do mar de Tiberíades lembra a atividade missionária (pesca = pescadores de homens) no meio dos pagãos (o mar representa o campo de missão entre os gentios). A menção de sete discípulos indica a totalidade a partir do significado simbólico do número sete. A decisão de pescar pode indicar que os discípulos ainda não assumiram o compromisso definitivo com Jesus, pois estão retornando às suas atividades normais. De qualquer maneira se essa decisão é um fato real, esta noite de trabalho foi estéril. Se é um fato simbólico (atividade missionária dos pescadores de homens), a comunidade missionária está em verdadeira crise, pois naquela noite não pescaram nada. Mas é bom lembrar que “à noite” tem conotação negativa e está em contraste com o dia (cf. 9,4-5). Noite simboliza ausência de Jesus ou do Espírito. Sem ele que frutos daria a ação missionária (cf. 15,5)? “Dia” ou “amanhecer” já têm conotação positiva, alude à nova realidade inaugurada pela ressurreição. Mas no princípio os discípulos não estavam tão firmes na fé (“não sabiam que era Jesus”). Mas Jesus manda que eles joguem as redes do lado direito da barca e eles jogaram e aconteceu o milagre. Pegaram uma “multidão” de peixes. Isto indica a fecundidade missionária com a obediência à Palavra de Jesus e a fé na sua presença na caminhada da comunidade. Só o discípulo que Jesus amava reconhece que é Jesus. Hoje também só reconhecemos Jesus aqui ou ali através do amor. Pedro toma duas atitudes “veste a roupa” quer dizer predispõe-se ao serviço (cf. v. 7) e “pula dentro da água”, quer dizer está disposto a enfrentar o risco. Na praia os discípulos percebem sinais de amor preparados por Jesus: peixes na brasa e pão. A quantidade de peixes (153 é a totalidade de espécies de peixes para o mundo antigo) significa que a atividade missionária vai atingir a todos os povos. Depois que Jesus convida os discípulos para a “Eucaristia” ninguém mais duvida de sua presença.
Isto significa que na comunhão de vida com as pessoas reconhecemos facilmente a presença de Jesus. A pergunta: “Eras tu, Senhor?” vai desaparecendo na medida em que aprendemos a partilhar.
Vv. 15-19 – O assunto aqui é a vocação do discípulo. Aqui o centro da atenção é Pedro. Podemos sinteticamente perceber que as condições para seguir Jesus se traduzem em comunhão profunda com Deus e solidariedade com as pessoas, ou seja, em duas palavras: amor-serviço. Jesus pede de Pedro e de cada um de nós um amor incondicional capaz de dar a própria vida como Jesus o fez (= estender as mãos para ser crucificado). Jesus só chama Pedro para o seguir depois que teve a certeza do seu amor incondicional.
4º DOMINGO DA PÁSCOA
25/04/2010
Iª LEITURA – At 13,14.43-52
Estamos em Antioquia da Psídia, na primeira viagem missionária de Paulo. O texto focaliza a reação do povo, judeus e pagãos, diante da Palavra anunciada (vv. 16-42).
Aqui os Atos estão registrando a ruptura com os judeus e o direcionamento da Palavra de Deus aos pagãos que ficam felizes de serem privilegiados. O protagonista, ou seja, o ator principal aqui é a Palavra de Deus que é o anúncio da Boa Nova de Jesus. Vê-se claramente uma dupla reação diante da Palavra: de um lado os judeus, do outro lado os pagãos.
A reação dos judeus e a atitude de Paulo e Barnabé
Num primeiro momento constata-se uma reação positiva de adesão (v. 43). Mas a partir do v. 44 vemos uma reação contrária, negativa, reação de inveja, de protestos e de insultos contra Paulo e Barnabé. Os judeus organizavam através de pessoas mais influentes uma verdadeira perseguição aos pregadores, expulsando-os do território (v. 50; cf. Lc 4,28-29 – o que aconteceu com Jesus acontece também com os apóstolos). Os judeus achavam que a salvação era só para eles. Agora, vendo a Boa Notícia dirigida aos pagãos e a cidade toda voltando-se interessada, reagiram com inveja, crime e violência. Qual foi a atitude de Paulo e Barnabé? Não se abalaram, mas, com ousadia, coragem e intrepidez, mostraram para os judeus o projeto de Deus (vv. 46-47): era através dos judeus que Deus queria chegar aos pagãos, mas, diante da rejeição, a Boa Nova é dirigida diretamente aos pagãos. Os dois missionários, então, com gesto de sacudir a poeira dos pés declaram a ruptura com a sinagoga, quer dizer, com os judeus (v. 51).
A reação dos pagãos
É uma reação completamente oposta. Quando perceberam a chance de salvação, quando ouviram que a Palavra de Deus era para eles, encheram-se de alegria, aceitaram a fé e glorificaram a Palavra do Senhor e a Palavra se difundiu por toda a região.
Qual é hoje o impacto da Palavra de Deus em nossa vida?
2ª LEITURA – Ap 7,9.14b-17
No capítulo 7 o autor do Apocalipse dá uma olhada para trás (vv. 1-8) e outra olhada para a frente (vv. 9-17), mostrando a salvação que Deus traz para todos os que são marcados pela fé. No nosso texto que aponta para o futuro, constatamos no céu uma grande liturgia festiva de louvor e adoração a Deus que está sentado no trono (v. 10) e ao Cordeiro que está no meio do trono (v. 17). Diante das perseguições e tribulações o autor mostra a salvação futura já preparada para os eleitos, os que perseveram na fé.
Quem são os personagens dessa celebração festiva?
Além dos anjos e das figuras simbólicas dos quatro seres vivos e dos vinte e quatro anciãos, João olha e vê uma grande e incontável multidão proveniente de todas as nações, tribos, povos e línguas. Esta multidão imensa esta totalmente excluída da salvação, mas agora vislumbra sua inclusão no Reino. É uma referência aos pagãos do mundo inteiro que ouviram ou ouvirão a palavra e a acolheram ou acolherão. É o nosso povo de Deus que agora sofre, mas já pode contemplar sua vitória antecipada na cruz do Cordeiro imolado. O v. 14 deixa tudo claro: “Estes são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e branquearam as suas vestes no sangue do Cordeiro”.
Quais são os símbolos da sua vitória?
Eles estão diante do trono e do Cordeiro. Estão vestidos de túnicas brancas. Carregam palmas nas mãos (os generais romanos celebravam suas vitórias com vestes brancas e palmas nas mãos). Servem a Deus dia e noite em seu Templo. Recebem do próprio Deus uma tenda para morar. Não sentirão mais fome, nem sede, nem calor. Serão apascentados e guiados às fontes de água da vida pelo próprio Cordeiro. As lágrimas dos seus olhos serão enxugadas pelo próprio Deus.
Diante dessa janela aberta para o futuro as comunidades perseguidas ganham novo vigor para perseverar, para resistir e lutar. Será que a grande massa dos excluídos hoje tem possibilidade de ouvir esta palavra de conforto e de esperança?
EVANGELHO – Jo 10,27-30
Para ler Jo 10 é preciso ter em mente Jo 9. João 9 é a cura do cego que foi excluído pelos chefes judeus que deveriam acolher o povo marginalizado e conduzi-lo como pastor. Eles são, entretanto, mercenários e ladrões. Jesus é que é o bom pastor, que acolhe suas ovelhas. No final Jesus mostra que os dirigentes judaicos são os verdadeiros cegos fechados em seu legalismo. Eles aprisionaram as ovelhas no Templo e ali as exploram e as oprimem. Mas Jesus veio para conduzi-las para fora, para fazer com elas um novo êxodo libertador. A cena de hoje acontece no Templo. Jesus bom pastor é a porta de libertação de suas ovelhas. Os dirigentes judaicos são mercenários (só trabalham por dinheiro), são ladrões e assaltantes.
O trecho de hoje é curtinho. São apenas quatro versículos. Quais são as afirmações principais? Talvez pudéssemos sintetizá-las na palavra UNIDADE, unidade entre pastor e suas ovelhas e unidade entre o Pai e o Filho. O v. 27 expressa um relacionamento bonito e profundo entre o pastor e suas ovelhas. As ovelhas ouvem e obedecem à voz do pastor. Elas o seguem. Elas têm consciência de que o bom pastor é caminho, verdade e vida. Por sua vez, o pastor conhece profundamente o seu rebanho, conhece cada ovelha pelo nome e trata a cada uma com carinho e ternura como se fosse única. O bom pastor, diz o v. 28, não apenas cuida de suas ovelhas, mas dá a vida por elas, assegura-lhes uma vida definitiva e lhes dá a certeza de que não serão arrancadas por ninguém de suas mãos. A certeza disso está no v. 29: foi o Pai que entregou ao Filho este rebanho e o Pai é maior do que todos. Ninguém é forte como o Pai para ser capaz de tirar de suas mãos as ovelhas. Estar nos braços do Pai é estar nos braços do Filho. A força do amor do Pai está toda no Filho e a força do amor do Filho está toda no Pai, pois na verdade o Pai e o Filho são uma coisa só (v. 30). João revela aqui o grande mistério da unidade entre o Pai e o Filho.
Quais são as características dos dirigentes das comunidades? São as do mercenário ou as do Bom Pastor?
Dom Emanuel Messias de Oliveira
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Diocese de Guanhães - MG