2008-06-01 CNBB - REGIONAL LESTE II

Institucional

   

9o Domingo do Tempo Comum - 01/06/2008


Dom Emanuel Messias de Oliveira - Diocese de Guanhães


Ia LEITURA – Dt 11, 18.26-28.32


O que Deus quer do seu povo está expresso no livro do Deuteronômio. Podemos afirmar que a essência é a prática da Palavra de Deus. Praticar a Palavra gera bênção, não praticar a Palavra de Deus gera a maldição. Por isso, vemos a insistência sobre a prática da Palavra de Deus no versículo 18. Primeiro: O povo deve colocar a Palavra de Deus no coração e na alma. O coração para o povo é a sede da consciência. A alma é a vida. Na verdade uma consciência pura e justa conduz à bênção, é fonte de vida. Segundo: Amarrar essas palavras na mão como um sinal. A mão expressa prática, ação concreta. Terceiro: A Palavra de Deus deve ser como a faixa entre os olhos. A faixa entre os olhos simboliza as intenções, ou seja, é preciso uma visão nova do mundo, baseada na justiça e no amor, na solidariedade e na paz. Nós devemos ver o mundo com os olhos de Deus. A prática da sua Palavra nos conduz a isto. E isto é fonte de vida e abundância de bênçãos.

Os versículos 28 e seguintes vão mostrar que as bênçãos de Deus e a vida em abundância dependem da decisão do homem: praticar ou não praticar a Palavra, os mandamentos, os estatutos, a Lei. Essas palavras que são sinônimas, podem ser traduzidas assim: Deus tem para o homem um projeto de vida. Colocá-lo em prática gera bênção e vida. Não colocá-lo em prática gera maldição e morte. A escolha está nas mãos do ser humano.

IIa LEITURA – Rm 3,21-25a.28

Se nós ficarmos apenas com a primeira leitura e o evangelho de hoje, vamos pensar que a salvação do homem depende só dele, ou seja, do fiel cumprimento da Lei, do apenas colocar em prática a Palavra de Deus, ou seja, das obras. Paulo vai mostrar para nós um outro dado indispensável para a salvação e a vida plena, que é a fé. Se lêssemos apenas a segunda leitura, sobretudo, se fixássemos nossa atenção apenas no v. 28, que é a tese de Paulo: justificação pela fé e não pelas obras da Lei, também ficaríamos com uma visão unilateral da salvação. Além disso, veríamos uma contradição entre Mateus e Paulo. Fique claro para o leitor que a salvação depende de Deus e do homem. Depende da justiça de Deus (não da justiça dos fariseus, que é apenas a prática da Lei, sem a fé em Jesus Cristo, sem acreditar na graça). O que é a justiça de Deus? É a realização do seu projeto de vida para o homem, que ainda não tem fé. Paulo, anunciando a salvação em Jesus Cristo, insiste na importância da fé como fundamento desta salvação. Mateus já está falando para cristãos que acreditam em Jesus Cristo como seu Salvador. Então, como Tiago (Tg 2,17), Mateus insiste na vivência da fé, ou seja, na prática da Palavra de Deus, na fé concretizado nas obras.

EVANGELHO – Mt 7,21-27

O evangelho vai insistir, mais uma vez, sobre a importância da Palavra colocada em prática, vivida concretamente. Dizer: “Senhor, Senhor”, ou seja, proclamar que Jesus é o Senhor, é nosso único Salvador, é importante; era inclusive a principal profissão de fé da Igreja Primitiva, mas isto só não basta. O importante é a prática da vontade do Pai. É essa prática que constrói o Reino de Deus e nos faz participar dele. Podemos profetizar, fazer milagres e expulsar demônios e não estarmos colocando em prática a vontade do Pai, que está no céu. Isto é um grande alerta para todos nós, sobretudo para quem anda à caça de demônios e buscando religiões milagreiras. Qual é mesmo o núcleo da vontade do Pai, aquilo que gera bênção e não maldição, aquilo que gera vida e não violência e morte? Será que é profetizar, fazer milagres e expulsar demônios? As religiões eletrônicas, dia e noite, propagam milagres e caça aos demônios como fonte de bênçãos. Jesus está alertando contra este modismo, no qual até a Igreja Católica está entrando através de Movimentos carismáticos. O núcleo da vontade de Deus é a prática da justiça, não da justiça dos fariseus e escribas, que falam muito, mas não cumprem, que pregam, mas não praticam. O núcleo da vontade do Pai, que está nos céus é a prática da justiça do Reino. Esse núcleo da Lei e dos Profetas já foi sintetizado por Jesus: é amar a Deus e ao próximo. Esse amor é coisa concreta, não assunto de novelas. Quem quiser saber qual é mesmo a vontade do Pai, a realização do seu projeto, o que determina a sua bênção ou a maldição (assunto da primeira leitura), é só ler Mt 25,31-46: (“Estava com fome e me destes de comer; com sede e me destes de beber...”). Queremos lembrar, mais uma vez, que o evangelho de hoje é o final do Sermão da Montanha (Mt 5-7), que é a síntese da Nova Aliança, o novo “código”, de vida para os que têm fé em Jesus Cristo. A Antiga Aliança foi promulgada por Moisés, mas “a graça e a verdade vieram através de Jesus Cristo” (Jo 1,17). Jesus não veio abolir a Lei e os Profetas, mas dar-lhes pleno cumprimento (Mt 5,17). Aqui, no final do Sermão da Montanha, Jesus mostra que para possuir a Vida Nova, promulgada por ele, é fundamental a coerência entre a palavra ouvida com fé e a prática dessa fé.

Nos vv. 24-27, Jesus ilustra o que significa pôr em prática a vontade do Pai com a imagem da construção da casa. Quem ouve a Palavra de Deus e a põe em prática, está construindo sua casa sobre a rocha. É a ação do homem prudente, de fé firme e autêntica. Esta casa não desmorona, é morada de bênçãos e de vida. É expressão de fé praticada e vivida. Construir a casa sobre a areia é não praticar a Palavra, é dizer apenas: “Senhor, Senhor”; é viver de teorias; é buscar religiões milagreiras, que prometem resolver os problemas com um passo de mágica e andam vendo demônios em tudo; é viver uma religião de ritos vazios, muitas orações e exorcismos, mas sem a prática da justiça do Reino e da caridade evangélica. Quem constrói a sua casa sobre a areia vive sem a prática da fé. Quem insistir apenas em ouvir a palavra, mas não em colocá-la em prática, vai ter uma surpresa no julgamento final. O versículo 22, com a expressão: “naquele dia”, refere-se exatamente ao julgamento final, onde o que vai contar são as ações concretas em favor dos carentes, dos necessitados, dos que sofrem, como expressão genuína da fé que salva (cf. Mt 25,31-46).


10º DOMINGO COMUM - 08/06/08

Iª LEITURA - Os 6,3-6

O tempo de Oséias é um tempo em que o país gozava de prosperidade. Prosperidade, naturalmente, por parte da elite e dos que governavam, enquanto o povo da roça padecia para produzir para exportação. A monarquia do Reino do Norte era sustentada pelo exército e pela religião. A monarquia manipulava a fé do povo.
O profeta Oséias que era da roça, denunciava estas duas bases de sustentação da monarquia. O texto de hoje se refere à base religiosa. A religião estava ligada à vontade do rei e comprometida com as elites. Os sacrifícios no Templo eram celebrados com todo requinte, enquanto os camponeses eram tremendamente explorados.
Era preciso uma conversão profunda, principalmente por parte das elites, um retorno sincero ao Senhor. Se houver uma verdadeira mudança, o Senhor é capaz de curar e restabelecer o seu povo e este povo terá possibilidade de viver na presença do Senhor (cf. vv. 1-3).
O profeta chama bastante atenção para o conhecimento de Javé. Conhecer, no sentido bíblico, é vivenciar a presença de Javé, experimentado como o Deus da vida, da justiça, da misericórdia e do amor. É ter certeza da sua vinda, ainda que seja para julgar. Mas, a justiça das elites onde está? O amor das elites é como a nuvem da manhã e o orvalho, que cedo desaparece. Os governantes quebram a aliança com o Deus da vida. Deus vai ferir os responsáveis pela justiça e pelo direito, pois a conversão deles é por demais superficial, porque o que Deus quer é o amor e não belos sacrifícios, é o conhecimento de Deus (experiência de sua justiça e solidariedade) e não holocaustos.

IIª LEITURA - Rm 4,18-25

O que está por trás deste texto é que não é a prática da Lei que torna as pessoas justas, mas a prática da fé. Tornar justo, justificar é quase sinônimo de salvar. Assim podemos nos perguntar: O que tornou Abraão herdeiro das promessas de Deus? O que salvou Abraão? As obras da Lei ou a fé confiante? A resposta é uma só: foi a fé. Para valorizarmos a importância da fé e a grandeza do exemplo de Abraão, podemos lembrar algumas expressões do texto de hoje. "Esperando contra toda esperança". Esta expressão é muito forte. Significa que mesmo constatando que não havia mais recursos humanos, Abraão continuou acreditando. Quer dizer, "ele não fraquejou na fé". A fé exige confiança total, mesmo quando não há mais jeito. Deus havia prometido a Abraão terra e descendência. Terra ainda vai, mas descendência? Como? Abraão já tinha quase cem anos e Sara era estéril! Simplesmente era impossível. Mas Abraão acreditou assim mesmo. Aquilo que sabemos pelo Segundo Testamento, Abraão já sabia, ou seja, o que é impossível para o homem é possível para Deus. Em outras palavras: "Para Deus nada é impossível". O texto diz que Abraão "não duvidou". "Ele estava plenamente convencido de que Deus podia realizar o que havia prometido". Eis tudo. Eis o que foi creditado a Abraão como justiça.

São Paulo concluiu que isto não foi dito só para Abraão, mas para nós também que acreditamos naquele que ressuscitou Jesus dos mortos, o qual foi entregue à morte pelos nossos pecados, foi ressuscitado para nos tornar justos. Quer dizer, o perdão dos nossos pecados e nossa justificação não dependem do que fazemos, mas do que Jesus fez; dependem da morte e da ressurreição de Jesus. Que tal imitar Abraão: acreditar sem impor condições, sem pedir sinais, sem exigir para ver?

EVANGELHO - Mt 9,9-13

A cena da vocação (v.9)

Mateus está no trabalho e seu trabalho era cobrar impostos. Este trabalho era considerado desonroso, impuro, de alto risco. Os judeus odiavam os cobradores de impostos. Eram como traidores do povo, pois eram colaboradores do imperialismo romano, que dominava e oprimia o povo judeu. Colaboradores de impostos eram considerados pecadores públicos na mesma linha das prostitutas. Judeu, que se prezava, mantinha distância dos cobradores de impostos ou publicanos. Eles eram chamados de publicanos, porque o imposto que eles cobravam chamava-se "publicum". Mas Jesus não tem preconceitos. Sua justiça supera a justiça dos fariseus(cf. 5,20). Ele passa, vê Mateus e o chama para ser discípulo, e Mateus o segue.

A cena da refeição (vv. 10-11)

Jesus está na casa de Mateus sentado à mesa para a refeição. Com ele seus discípulos, muitos cobradores de impostos e pecadores (= publicanos). Os fariseus vêem esta cena escandalosa e, certamente, de olhos arregalados e cheios de maldade perguntam aos discípulos: "por que vosso mestre come com os publicanos e pecadores?" Nesta pergunta a gente pode perceber a vaidade, o orgulho, a distância e o desprezo: "vosso mestre", quer dizer, eles nunca aceitariam um mestre deste tipo. "Cobradores de impostos e pecadores” - profunda discriminação. Os fariseus se consideram justos, puros, santos e sãos. Jesus responde pelos discípulos. Em sua resposta Jesus mostra através de uma ironia e uma crítica aos fariseus que:

* Ele veio como médico para os que o reconhecem e desejam ser curados por ele. Os fariseus se consideram cheios de saúde por isso o desprezam.

* Deus quer misericórdia e não sacrifício. Os fariseus, entretanto, são especialistas no sacrifício e no cumprimento da Lei, mas não sabem ser misericordiosos.


11º DOMINGO COMUM - 15/06/08

Iª LEITURA - Ex 19,2-6a

O capítulo 19 do livro do Êxodo é uma introdução à Aliança do Sinai que está no capítulo 20. Os primeiros versículos do texto de hoje apresentam o povo chegando aos pés do Monte Sinai, enquanto Moisés estava sozinho sobe a montanha, de onde Deus o chamava. Este povo está vindo de onde? Está vindo do Egito, de onde Deus o libertou através de Moisés das garras do faraó. E está indo para onde? Está indo para a terra prometida por Deus, a qual mais tarde será chamada de Palestina. Lá, eles vão viver como povo livre, comprometido com seu Deus. Nesta peregrinação pelo deserto, Deus vai caminhando com o seu povo, realizando prodígios, dando-lhe vitórias, favorecendo-lhe a caminhada. Aqui, no Monte Sinai, Deus vai fazer Aliança com este povo. Será um compromisso bilateral. Deus se compromete a cumprir a sua parte e o povo por sua vez se compromete a cumprir a sua.

O texto de hoje apresenta os 3 tempos da Aliança: o passado, o presente e o futuro. O passado ("vocês viram...") é um lembrete das maravilhas que Deus fez pelo povo ao libertá-lo das mãos do faraó e ao conduzi-lo até ao Sinai. A formulação é muito bonita: "Vistes o que fiz aos egípcios, e como vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a mim". A Aliança tem um passado, uma história, uma base. O fundamento da Aliança é a libertação operada por Deus. O presente ("Agora, se..."). É a proposta da Aliança. Deus é o libertador do povo e se compromete em levar a cabo este compromisso. Mas o povo deve cumprir também a sua parte. Qual é a parte do povo? É escutar a voz de Deus e guardar a sua aliança. O futuro: É o bem do povo, é a realização do compromisso com Deus. O povo terá 3 benefícios - a posse da terra prometida - ser propriedade exclusiva de Deus - ser um reino de sacerdotes e uma nação santa. Isto implica, sem dúvida, numa missão para o povo: ele se tornará mediador ( um reino de sacerdotes) da aliança entre Deus e os outros povos. O Antigo Israel cumpriu seus compromissos? E nós, o Novo Israel, estamos cumprindo fielmente os compromissos da Nova Aliança?

IIª LEITURA - Rm 5,6-11


A carta aos Romanos deixa claro que nossa salvação acontece não por nossas obras, mas através da Nova Aliança selada no sangue de Cristo. Esta nossa história da salvação pode ser vista no texto de hoje também em 3 tempos. O passado: é o que Deus fez por nós em Jesus Cristo. Deus já demonstrou seu supremo amor por nós. Como? É que sem mérito nenhum da nossa parte, mas pelo contrário, enquanto éramos fracos, ímpios, pecadores, Cristo morreu por nós, morreu no nosso lugar, morreu para que nós não morrêssemos. O presente: ("Quanto mais agora...", "por quem desde agora"). É a nossa condição atual de justificados. Estamos vivendo uma vida nova adquirida pelo sangue de Cristo. É uma vida de graça, sem mérito nosso. Paulo aqui está querendo frisar o fato do amor de Deus estar em nós produzindo frutos e nos enchendo de esperança da salvação. O futuro: Este futuro nós o viveremos na esperança, mas é uma esperança certa que não decepciona, pois o amor de Deus já foi semeado em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado (cf. v. 5). Cristo já morreu por nós. E já ressuscitou como primícias nos trazendo a certeza de que também nós ressuscitaremos, ou seja, seremos salvos por sua vida. A certeza do nosso futuro não está em nós, mas no passado de Cristo e no presente do Espírito. O argumento que Paulo desenvolve neste texto é muito claro. "Se enquanto éramos inimigos, Cristo nos reconciliou por sua morte, quanto mais agora, uma vez reconciliados, seremos salvos por sua vida. Isto é motivo de uma esperança firme para todos nós. Nossa fé no passado nos faz realmente viver no presente esta alegria de um futuro garantido?

EVANGELHO - Mt 9,36-10,8

O Evangelho de Mateus é composto de 5 livrinhos. Cada livrinho tem duas partes, uma com uma narração e outra com um discurso. O texto de hoje pertence ao terceiro livrinho. Pega o final da parte narrativa que é composta de 10 milagres (capítulos 8-9) e o início de um Discurso Apostólico sobre a missão dos 12, que ocupa o capítulo 10.

Jesus entra na vida do povão

Depois de um tempo misturado no meio do povo percorrendo cidades e povoados, ensinando e curando, Jesus viu claro: O povo está cansado e abatido, sofrido, expoliado e abandonado. Depois desta visão clara, que Jesus tem da realidade do povo, ele faz duas comparações. Compara o povo como ovelhas e conclui que está faltando pastores. Em seguida, compara o povo com uma ótima plantação e conclui que a colheita é grande, mas os trabalhadores (os líderes) são poucos. A colheita é grande; isto significa que este povo é gente boa, apenas precisa de uma ajuda, de uma orientação, de uma força. Ter compaixão do povo quer dizer sofrer com o povo, entrar na vida dele para ajudá-lo a resolver seus problemas. Ter compaixão é ser solidário, é começar a movimentar-se para a solução dos problemas do povo à luz da fé. Ter compaixão é deixar-se tocar pela realidade nua e crua do povo sofrido.

Jesus parte para a ação

Primeiro, Jesus convida os discípulos a rezar ao Pai para que ele multiplique as lideranças. Depois, Jesus vai capacitar para a missão os 12, que ele já tem à disposição. A missão diz respeito à justiça do Reino que está chegando; é uma missão libertadora. Jesus quer libertar o povo de todo o tipo de alienação, alienação ideológica, que abrange a área psicológica e espiritual como expulsão de espíritos maus. Alienação social (física), curando doenças e enfermidades. Os doentes eram como os possessos muitas vezes afastados do convívio social. O elenco dos 12 apóstolos relembra simbolicamente a totalidade e a diversidade dos que são enviados. Totalidade para dizer que a Igreja inteira é missionária e diversidade para mostrar que Jesus escolhe sem discriminação. No grupo, há pescadores, cobradores de impostos, zelotas, etc. Nas recomendações, Jesus restringe a missão apenas à casa de Israel; a prioridade é para as ovelhas perdidas. É, sem dúvida, a primeira etapa da missão apostólica. Mas já podemos perceber mais uma vez em Jesus a opção preferencial pelos empobrecidos, que a sociedade discriminadora e opressora marginalizava. Junto com o anúncio da proximidade do Reino de Deus, Jesus repete com mais detalhes a finalidade da missão já mencionada acima. Tudo deve ser feito dentro da mesma gratuidade com que eles, os apóstolos, receberam o Reino.
A realidade do povo mudou pouco. Hoje, como são escolhidas e capacitadas nossas lideranças? Qual é a finalidade do envio hoje?



12º DOMINGO COMUM - 22/06/08


Iª LEITURA - Jr 20,10-13


Jeremias foi o profeta que anunciou e presenciou o Exílio Babilônico no século VI (586 a.C.). Foi mais do que todos os outros profetas perseguido, caluniado, maltratado, ameaçado de morte. Sua vida de sofrimento se aproxima muito da do profeta de Nazaré, 600 anos depois. Suas angústias e desabafos são registrados nas chamadas "Confissões de Jeremias". A primeira leitura de hoje faz parte da última "confissão" (Jr 20,7-18). O que nos dizem estes versículos de 10 a 13?


Primeiro: Constatando a realidade de
perseguição

O profeta prevê a desgraça de todos, mas, ao mesmo tempo, se sente encurralado, vítima de suas próprias atitudes proféticas. Sua fidelidade a Deus lhe compra brigas e ameaças de todos os lados. Até seus amigos estão de olho para poder derrubá-lo. Seus inimigos fazem falsas acusações, armam ciladas, tramam sua morte.

Segundo: A certeza da proteção Divina

O profeta tem uma confiança inabalável em Deus. Deus é para ele como um valente guerreiro. Está do lado dele, como está sempre do lado do justo, apesar das aparências em contrário. Ele sabe que seus perseguidores tropeçarão sem nada conseguir. Eles serão cobertos de extrema vergonha e de inesquecível infâmia. A diferença entre o santo e o pecador é esta: o santo no seu sofrimento não perde a confiança em Deus, nem se afasta dele, antes, pelo contrário, transforma seu sofrimento em oferta, em oração confiante, em momento de maior intimidade com seu Senhor.

Terceiro: Oração confiante

O profeta vê a Deus como seu advogado, a quem ele entrega sua causa. Deus é um advogado todo poderoso. Conhece perfeitamente a causa e profundamente seu profeta. Ele sonda os rins, quer dizer, a sua consciência. Deus conhece tudo e, por isso, pode salvar o profeta de seus perseguidores. Jeremias deseja ver a vingança de Deus contra seus adversários. Hoje, orientados pelo profeta de Nazaré, distinguimos a pessoa dos seus males. Lutamos sim pelo fim das injustiças, mas quanto ao injusto, colocamos o perdão na frente e desejamos sua mudança de vida, pois também o injusto é filho de Deus, embora mal orientado.

Quarto: convite ao louvor

O profeta, tranquilizado pelo seu desabafo, e reabastecido pela sua prece confiante, convida a todos para cantar e louvar ao Senhor. Sua confiança é tão profunda que ele coloca já no passado a vitória futura da vida do pobre. Hinos e cânticos se justificam, pois o Senhor "salvou das mãos dos malvados a vida do pobre".
Você é capaz de confiar profundamente em Deus diante dos sofrimentos e de cantar louvores ao Altíssimo, apesar da dor?


IIª LEITURA - Rm 5,12-15

O texto de hoje é continuação imediata do texto do domingo passado, onde o apóstolo lembra que, se Cristo por sua morte nos reconciliou, enquanto éramos pecadores, maior esperança temos que ter agora de sermos salvos por sua vida. Aqui, Paulo vai fazer um paralelo entre Adão e Cristo com o que eles trouxeram para a humanidade. O velho Adão é, por contraste, figura de Jesus Cristo, que é visto como Novo Adão. Quem é mais importante Adão ou Jesus? Se Adão é menos importante e trouxe tanto mal para a humanidade, como podemos avaliar o bem que Jesus trouxe, se ele é muito mais importante? Por isso São Paulo vai dizer que onde abundou o pecado superabundou a graça. Se Adão trouxe a morte, Jesus trouxe a abundância de vida.

O que Adão trouxe?

Adão, o homem velho, trouxe o pecado para o mundo e com o pecado a morte. Qual foi o pecado de Adão? O pecado de Adão consiste no orgulho e no egoísmo, que geram uma vida inautêntica e incoerente, distante de Deus. O pecado de Adão consiste na prepotência, no atribuir a si o direito de decidir sobre o bem e o mal. “Sereis como deuses”, diz a serpente. Adão quer ocupar o lugar de Deus; quer ser juiz em causa própria. Ele é solidário com o mal. Por que dissemos "consiste”? Exatamente para sublinhar que Adão está presente em cada um de nós, sempre que solidários com o mal, gerando morte ao invés de gerarmos vida. São Paulo toca no assunto da Lei para mostrar que antes da Lei já existia o pecado, e o pecado continua depois da Lei. A Lei não é capaz de anular o pecado e trazer a vida. O que a Lei traz é uma maior consciência do pecado.

O que Cristo nos trouxe?

Jesus, o novo Adão, recria o homem novo para a vida. A Lei não foi capaz de corrigir o mal que Adão nos trouxe. A Lei apenas nos dá maior consciência do nosso pecado. Mas Jesus supera Adão, supera a Lei, rompe com o círculo do pecado e traz vida nova e autêntica para todos. A humanidade solidária em Adão mergulhou no pecado sendo incapaz de se salvar, mesmo apelando para a Lei. Jesus, solidário com a humanidade, trouxe com sua morte de cruz a possibilidade de salvação para todos. Precisamos apenas acreditar em Jesus e ser solidários com ele. Rejeitando o orgulho, a arrogância, a prepotência e o egoísmo, fontes de todo o mal, busquemos a solidariedade no amor que Jesus nos trouxe. O amor autêntico arranca a raiz do mal e faz nascer a vida plena. A graça que Deus nos dá em Jesus Cristo é muito maior que o pecado gerado por Adão. Se acreditamos na desgraça gerada pela falta de um só homem-Adão, maior fé devemos ter na graça trazida por um só homem-Deus, Jesus com amor solidário. Nossa opção não pode ser por Adão, mas por Jesus Cristo.
Quando, por algum motivo, estivermos no baixo-astral - herança de morte do velho homem-Adão, devem nos perguntar : tem sentido esta tristeza, se acreditamos na herança de vida concedida a nós gratuitamente pelo novo homem-Deus, Jesus Cristo?


EVANGELHO - Mt 10,26-36


O texto de hoje pertence ao Discurso Apostólico ou discurso sobre a missão dos apóstolos. Um pouco antes das exortações de hoje, Jesus previne seus discípulos sobre os males que eles irão enfrentar. Eles serão enviados como ovelhas entre lobos (v. 16), serão entregues aos Sinédrios, serão flagelados (v. 17), serão odiados (v. 22). Numa palavra, os discípulos terão a mesma sorte do mestre (cf. v. 24). A frase que comanda o texto de hoje é: "Não tenham medo". Ela aparece 3 vezes.

a) "Não tenham medo dos homens"

Jesus revelou para seus discípulos o mistério do Reino. Muita verdade foi revelada, ou pelo menos esclarecida, somente aos discípulos. "A vós foi dado conhecer os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não". Contudo a finalidade da revelação em segredo é sem dúvida para uma divulgação posterior, pois eles devem ser como uma lâmpada colocada sobre o candelabro para iluminar a todos (cf. Mc 4,21). Os discípulos devem ser mensageiros da verdade e para isso devem corajosamente enfrentar os donos da mentira, que não suportando a verdade, certamente reagirão com perseguição e violência. A lâmpada do discípulo-missionário não pode ficar escondida debaixo do alqueire, do caixote, do banco, inventando, assim, uma religião intimista, de sacristia. O discípulo-missionário tem que estar no meio do mundo, pois Jesus disse: "Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo". O verdadeiro discípulo-missionário não deve ter medo do confronto. Ele deve assumir o medo, enfrentar a realidade hostil e proclamar a verdade, doa em quem doer. Certamente doerá em si mesmo como doeu em Jesus.

b) "Não tenham medo dos que matam o corpo"

Os discípulos-missionários devem o temor-obediência a Deus e não aos homens. Os homens podem fazer mal ao corpo, mas só Deus "pode arruinar a alma e o corpo no inferno". Se quisermos retomar a segunda leitura, podemos perguntar por quem optar? Pelo velho homem-Adão, ou pelo novo homem-Deus, Jesus Cristo? A quem devemos obediência? Em quem devemos depositar nossa confiança? Quem não teme a morte física, por causa do evangelho, ganha a vida.

c) Não tenham medo do abandono de Deus

Jesus mostra como Deus cuida de coisas insignificantes como pardais e o cabelo de nossas cabeças. Ora, se Deus cuida, assim, de coisas insignificantes, muito mais cuidado ele terá com seus discípulos-missionários. Veja que frase confortadora: "Não tenham medo! Vocês valem mais do que muitos pardais". Causa preocupação a frase anterior. "No entanto nenhum deles cai no chão sem o consentimento do Pai". Quer dizer que o Pai pode consentir que um discípulo-missionário chegue ao martírio por causa do evangelho? É claro que pode, ele não consentiu na morte do seu próprio Filho? Só que como o Pai não deixou seu Filho na morte, mas o ressuscitou, assim dará vida a seu discípulo-missionário.

d) Você decide

Você pode optar por Cristo, enfrentando perseguição e até mesmo a morte, ou renegá-lo; ser a favor dele ou contra ele. Em contrapartida, a decisão final compete a Cristo diante do tribunal do Pai. Se sua decisão foi por ele aqui na terra, ele se declarará lá a seu favor. Tudo vai depender da sua solidariedade ou não solidariedade com a causa de Jesus. Você decide! Mas, atenção! Decidir como o velho Adão, como juiz de si mesmo, leva à ruína. Sua decisão deve ser a partir da Boa Nova de Jesus Cristo.


13º DOMINGO COMUM - FESTAS DOS APÓSTOLOS PEDRO E PAULO
29/06/08


Iª LEITURA - At 12,1-11

A apresentação do governo

Herodes Agripa I, governador da Judéia e Samaria (anos 41-44), desencadeou uma perseguição à Igreja. Os interesses políticos passam sempre por cima da dignidade humana e dos grandes projetos de vida. Herodes mandou matar à espada Tiago, irmão de João e, vendo que isto agradava aos judeus, mandou prender o apóstolo Pedro e pôs dois soldados acorrentados a Pedro, e havia sentinelas nas portas. Quando passasse a Páscoa, Herodes tencionava apresentá-lo diante do povo durante a noite. Queria fazer média com o povo através de Pedro, como fez Pilatos com Jesus e como fazem os políticos de hoje, sem perder oportunidades.

A atitude da Igreja

A Igreja rezava constantemente na intenção de Pedro. Pedro revive o drama de Jesus. O episódio revela uma espécie de "Páscoa de Pedro". Talvez, por isso mesmo, Pedro desaparece dos Atos dos Apóstolos. A missão de Pedro iria se encerrar com este milagre. Ele só vai reaparecer no Concílio de Jerusalém (At 15). A partir do capítulo 12 outro grande apóstolo entra em cena - Paulo.

A intervenção de Deus

A presença do anjo enche a cela de luz. Tudo fica claro. O anjo toca em Pedro, desperta-o e as cadeias se desamarram. O anjo o manda aprontar-se e segui-lo. Pedro foi executando as ordens pensando que fosse uma visão, uma imaginação. Os portões foram-se abrindo diante deles. Na rua, o anjo, de repente, desapareceu. Só aí Pedro toma consciência de que fora libertado por Deus das mãos de Herodes e da expectativa do povo. Curioso é que a menção da prisão no dia dos ázimos, a libertação na noite da Páscoa e a referência de que o Senhor enviou o seu anjo para libertar Pedro das mãos de Herodes e da expectativa do povo judeu relembram de perto a libertação do Egito. O Antigo Povo de Deus que fora libertado do Egito se torna agora Egito opressor do Novo Povo de Deus. O Antigo Povo de Deus rejeitou seu Filho Amado e agora persegue seus seguidores. Mas Deus continua sendo o libertador do povo. Parece que Lucas quer lembrar a Páscoa do Antigo Povo, Páscoa de Jesus e a Páscoa de Pedro. O mesmo Deus libertador está sempre presente. "Na Páscoa da Ressurreição, Deus devolveu Jesus a seus discípulos. Agora Deus devolve Pedro à Comunidade". Deus está sempre presente salvando seu povo de situações difíceis. Jesus, de fato, significa "Deus salva". E ele disse que estaria com sua Igreja até o fim do mundo. Sua comunidade continua rezando pelo sucessor de Pedro, hoje?


IIª LEITURA - 2Tm 4,6-8.17-18

Estamos no último capítulo da segunda carta a Timóteo que não é de Paulo, mas atribuída a ele pela Tradição. Nosso trecho relata o Testamento de Paulo. Ele está preso. Sabe que chegou a sua hora. Jesus a seu tempo disse: "Pai, chegou a hora, Glorifica teu Filho, para que teu Filho te glorifique" (Jo 17,1). A mesma coisa está acontecendo com o grande apóstolo dos gentios. A gente percebe o claro paralelo entre a paixão de Jesus e a paixão de Paulo.

Paulo olha para o passado

"Já fui oferecido em libação. Libação é o rito de derramar o vinho, água e óleo sobre a vítima nos sacrifícios judaicos (Ex 29,40). Paulo preparou sua oferta total com sofrimentos, abandono, dor. Ele já se vê pronto para o sacrifício de sua vida. Sua morte é vista como uma viagem, naturalmente, para a casa do Pai. "Chegou o tempo da minha partida". Ele que fez tantas viagens de evangelização, parte agora bem preparado, de cabeça erguida para sua última viagem. Agora não será mais uma viagem de trabalho penoso como foram as outras. Agora será a viagem do eterno repouso. Ele vai entrar para a Academia dos Imortais. Sua obra já foi consagrada. Ele vai subir no pódio e receber o troféu da vitória. Paulo se compara a um soldado de Cristo: "Combati o bom combate". Ele se vê como um atleta que correu num estádio: "Terminei a minha carreira". Ele se vê como aquele a quem Deus confiou a mensagem, que deverá ser proclamada e ouvida por todas as nações", sem desvios ou falsificações: "Guardei a fé". E não lhe faltaram a assistência e a força de Deus nos momentos mais cruciais, nos momentos de solidão, nos momentos de abandono. Como Daniel, ele foi libertado da boca do leão (Dn 6,21), quer dizer, ele se sente salvo do Tribunal do Imperador Romano. É bom olhar para trás e ver o rastro luminoso do caminho percorrido!

Paulo olha para a frente

Para o melhor dos atletas o que está reservado? Sem dúvida o troféu da vitória, a coroa da justiça. Como bom soldado, Paulo vai ser condecorado. Ele diz que esta coroa é reservada pelo Senhor, justo juiz "a todos os que tiverem esperado com amor a sua manifestação". "Esperado com amor". O que você acha que significa esta expressão? Um sentimento romântico de quem espera sua amada num banco de jardim? Repasse a vida de Paulo e responda.

É bom frisar a convicção do apóstolo e sua firme esperança. "O Senhor me libertará de toda a obra maligna e me levará salvo para o Reino celeste". O atleta já ganhou a corrida. O soldado já venceu a guerra. Só falta a comemoração. Por isso, Paulo termina com este pequeno hino de louvor ao Senhor que o chamou, transfigurou sua vida, o acompanhou por toda a missão e está prestes a condecorá-lo: "A ele a glória pelos séculos dos séculos! Amém!"

EVANGELHO - Mt 16,13-19

Este episódio pertence à parte narrativa do livrinho sobre a Igreja. Este episódio se localiza em Cesaréia de Filipe, que está no extremo norte da Palestina, ou seja, o lugar mais distante do centro de decisões que é Jerusalém. Estamos, portanto na periferia do país. O centro, na verdade, jamais seria capaz de acertar com a resposta à pergunta que Jesus vai fazer. A pergunta é: Quem é Jesus? Ela é muito importante e válida para todos os tempos. No fundo, nossa vida depende desta resposta. Uma resposta naturalmente que deve brotar das atitudes e não das idéias. Jesus não quer uma elite de pensadores, mas um grupo de operários do Reino. A pergunta é dirigida aos discípulos, mas Jesus quer colher duas opiniões. Primeiro a opinião do povo, depois a opinião dos discípulos. Filho do Homem é um título que Jesus gosta de usar para si mesmo. Ele se identifica com a humanidade de tal modo que a maioria das pessoas não consegue ver nele mais do que um homem extraordinário na linha dos grandes profetas.

1. A opinião do povo

Os discípulos dizem que há 4 tipos de opiniões entre o povo; Jesus seria João Batista, Elias, Jeremias ou um dos profetas. Todas as respostas ficam na linha dos precursores dos tempos messiânicos. Ninguém, apesar de todos os prodígios, conseguia ver em Jesus o inaugurador dos tempos messiânicos.

2. - A resposta dos discípulos

É Pedro, o porta voz dos discípulos, quem responde. Ele é visto como o porta voz dos discípulos e tem uma função de destaque em todo o Segundo Testamento. Quem quiser pode conferir: Mt 4,18; Mc 5,37; Lc 24,34; Jo 6,67-69; 21,15-23; At 1,13.15; 3,1; 10,5; Gl 2,7, etc. É Jesus que lhe dá o nome de Pedro para simbolizar seu indispensável papel na fundação e direção da Igreja. Pedro no evangelho de Mateus responde que Jesus é o Messias e o Filho de Deus. No tempo de Jesus, a palavra Messias era mais importante, pois todos estavam esperando o Messias prometido. A expressão Filho de Deus para o povo tinha uma aplicação mais ampla. Referia-se aos anjos, ao povo eleito, aos israelitas fiéis e também ao Messias. Naturalmente, para a comunidade, onde surgiu o evangelho de Mateus, o título Filho de Deus, professado por Pedro, já tinha alcançado seu verdadeiro sentido, ou seja, Jesus tem uma relação filial única com Deus. Ele partilha com o Pai e o Espírito Santo a divindade. Ele é a segunda pessoa da Santíssima Trindade. De fato, Jesus diz a Pedro que o que ele acaba de afirmar não provém da sua cabeça de homem, mas de uma revelação divina. Só mais tarde a Igreja vai perceber a profundidade da resposta de Pedro.

3. - A contra resposta de Jesus

Jesus muda o nome de Pedro. Isto significa que ele lhe atribui uma grande missão. E a missão é estar à frente da Igreja de Jesus (= minha Igreja). Essa missão de chefe da Igreja é hoje dada ao sucessor de Pedro, a quem chamamos de Papa. "As portas do inferno nunca prevalecerão contra ela", quer dizer que as forças malignas, forças que estão contra o projeto de Deus não serão capazes de derrubar a Igreja. De onde vêm estas forças? Do capeta? Sim! Não! Quer dizer...! É muito difícil jogar a culpa sobre uma entidade abstrata! e tranquilizar a consciência. Estas forças malignas brotam do coração do próprio homem. Brotam de todos aqueles que oferecem resistência ao evangelho, à vontade de Deus, à justiça, ao bem. Toda vez que nossa atitude é egoísta, opressora e injusta somos "satanás". O próprio Pedro foi chamado de satanás por Jesus, porque naquele momento (alguns versículos abaixo) estava sendo obstáculo no seu caminho de cruz.

O poder das chaves

"Ligar e desligar" é linguagem técnica. Ligar as (cadeias) significa condenar. Desligar significa absolver. A Igreja, na pessoa de Pedro e seus sucessores (Jo 21,15ss), tem autoridade em assuntos doutrinais e morais. O que ela faz na terra, Deus ratifica no céu. Ela pode proibir (ligar) ou permitir (desligar).


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