2007-12-02
1o DOMINGO DE ADVENTO (02/12/2007)
Iª LEITURA - Is 2,1-5
"Este oráculo é um acréscimo posterior e relembra os temas do Terceiro Isaías (Is 56-66): no futuro os povos pagãos se dirigirão a Jerusalém para participar da Aliança, e, então, haverá paz definitiva". O v. 1º mostra, claramente, que se trata de uma visão para o futuro, não um futuro que se deve esperar, mas, sim, um futuro que deve ser antecipado no presente, a partir de uma tomada de consciência dos empobrecidos que mantém acesas suas esperanças de dias melhores e sua coragem de lutar. O monte do Templo de Javé é a cidade de Jerusalém, que está construída sobre o monte de Sião. Ali está o Templo. O que significa que o monte do Templo de Javé estará firmemente plantado no mais alto dos montes. O monte era o lugar onde o povo se encontrava com Deus. Isaías quer dizer que um dia o mundo todo vai prestar culto ao único Deus verdadeiro. Do Templo Deus mostrará seus caminhos a todos os povos. "De Sião sairá a Lei e de Jerusalém a Palavra de Javé". Nesse templo, "Deus julgará as nações e será o árbitro de povos numerosos". Então haverá paz total e um relacionamento novo entre os povos. As armas serão transformadas e não haverá mais treinamento para a guerra. Os instrumentos de destruição, espadas e lanças, serão transformados em instrumentos de produção de vida, enxadas e foices. Quem vai puxar a fila será a casa de Jacó, ou seja, o povo de Deus: "Venha casa de Jacó; vamos caminhar à luz de Javé". Você, como cristão está puxando esta fila na caminhada para os novos tempos?
IIª LEITURA - Rm 13,11-14a
É interessante observar as imagens usadas por Paulo.
Todas se referem aos compromissos batismais lembrados aos primeiros cristãos, que assumiram a vida nova com Cristo. A expressão "vocês conhecem o tempo" (kairós em grego) é uma referência ao tempo da atuação da graça de Deus e da salvação. Nesse tempo, o comportamento deve ser novo, ou seja, fundamentado no amor (vv. 8-10). Aqui, aparece a imagem do despertar do sono, pois a salvação já está mais perto de nós agora de que quando começamos a acreditar. Depois aparecem as imagens da noite e do dia. A noite vai avançando e o dia está próximo. A noite corresponde às obras das trevas, ou seja, uma vida desonesta com orgias, bebedeiras, prostituição e libertinagem, brigas e ciúmes. O dia corresponde às armas da luz. É a imagem da veste do soldado romano, sua armadura de guerra. Vestir as armas da luz é fugir dos vícios, que a noite propicia; é como afirma o v. 14, vestir-se do Senhor Jesus e não seguir os desejos dos instintos egoístas relembrados no v. 13. "Liberto do egoísmo que corrompe a pessoa e a sociedade, o cristão vive a madrugada de um tempo novo". Através do batismo, através do compromisso sério com Cristo, o cristão percebe que a longa noite da injustiça e do pecado já vai dando lugar a uma madrugada de tempos novos. Foram os vv. 13 a 14 que ocasionaram a conversão de Santo Agostinho.
EVANGELHO - Mt 24,37-44
Mt 24 e 25 formam o discurso escatológico, onde aparecem dois temas importantes. O primeiro diz respeito ao fim do Templo e à destruição de Jerusalém, que marca o início de uma nova época surgida da prática de Jesus e Seus seguidores. O segundo é o desconhecimento em relação à vinda do Filho do Homem e a conseqüente vigilância ativa. É sobre este segundo tema que trata o Evangelho de hoje. Ninguém sabe quando será o fim (v. 36). Mas é bom lembrar que a segunda vinda de Cristo e o fim do mundo serão um acontecimento só. Jesus compara Sua vinda ou o fim do mundo como no tempo de Noé. Ninguém percebia nada. Foi só Noé entrar na arca e veio o dilúvio e arrasou a todos; do mesmo modo, ninguém vai perceber, quando Jesus voltar. Será de uma hora para a outra. O importante é vigiar. Os vv. 40-41 falam que “dois homens estarão trabalhando no campo: um será levado, e o outro será deixado. O mesmo acontecerá com duas mulheres que estão moendo no moinho. Qual será o critério para esta seleção? É, sem dúvida, o critério do compromisso com Jesus Cristo. Há quem trabalhe construindo o futuro através da vigilância ativa. Estes estão preparados. Sua casa não será arrombada, pois vive vigiando. Há, entretanto, quem viva como se o futuro não existisse. Não leva a vida com seriedade. Não anda vigilante, nem preparado. Quando vier o ladrão, ele não poderá evitar o roubo”.
Vigiar é comprometer-se com Jesus. Em Mt 26,28.40.41, na agonia de Jesus, no Jardim das Oliveiras, ele pede aos discípulos: "Fiquem aqui e vigiem comigo" (v.38). Vigiar é, portanto, ser solidário com Jesus, partilhar a vida com os mais pobres, ser solidário com o irmão na alegria e na tristeza.
2o DOMINGO DE ADVENTO (09/12/2007)
Ia LEITURA - Is 11,1-10
O profeta alimenta as esperanças do povo
Nosso trecho faz parte do “Livro do Emanuel” (Is 7-12). A monarquia está enterrando as últimas esperanças do povo, mas do toco de Jessé sairá um ramo, diz o profeta, um broto nascerá de suas raízes. O profeta Isaías vem alimentar as esperanças do povo. Javé vai conservar no trono um descendente de Davi. O trecho se refere primeiramente ao rei Ezequias (filho herdeiro do rei Acaz), mas numa projeção utópica de uma sociedade justa e igualitária, cujas bases serão na verdade lançadas pelo futuro Messias, que chegou na pessoa de Jesus, sobre quem pousa o Espírito de Deus (Mt 3,16).
Identidade do Messias - vv. 1-5
Ele terá a plenitude dos dons do Espírito Santo. Será um líder perspicaz, cheio de sabedoria e discernimento. Saberá defender os interesses e os direitos do povo com seu espírito de fortaleza e conselho. Não terá a arrogância dos grandes, mas com humildade será submisso ao seu Deus com seu espírito de reconhecimento e temor de Javé (vv. 1-2). Seu modo de agir será fundamentado na justiça, fidelidade e retidão. Terá predileção pelos fracos e pobres. Punirá o violento e o ímpio (vv. 3-4).
Uma projeção paradisíaca - vv. 6-9
Sua administração será de uma paz e harmonia absolutas, onde não haverá mal nem destruição, pois a terra estará cheia do conhecimento de Javé. Toda a criação estará em harmonia. Os rivais começarão a viver juntos e a compartilhar os bens da vida: lobo e cordeiro, pantera e cabrito, bezerro e leãozinho, o urso e a vaca, o leão e o boi. O bebê poderá brincar com a serpente. Um menino guiará o bezerro e o leãozinho. É o paraíso reconquistado. O v. 10 ainda lembra que esse povo, cujas lideranças estão comprometidas com a justiça será uma bandeira levantada que atrai todas as nações. E sua moradia será gloriosa.
IIª LEITURA - Rm 15,4-9
O cap. 15 é um convite à superação dos conflitos dentro da comunidade, composta de judeus e pagãos, de fortes e fracos. O v. 4 mostra a função das Escrituras para a comunidade de cristãos. Elas pretendem instruir, elas geram perseverança e consolação. A palavra consolação tem nos profetas um forte significado do libertador. Implicava a libertação de Israel e sua constituição enquanto povo de Deus. A Bíblia, assim, nos conduz à libertação e à vida de povo unido em comunidade. O v. 5 é uma oração, um voto de que Deus dê a todos os mesmos sentimentos uns com os outros. O modelo é Jesus Cristo. Parece que o apóstolo repete o mesmo pensamento em Fl 2, 1-5. No v. 1 aparece a palavra consolação e no v. 5 lemos: "Tenham em vocês os mesmos sentimentos que haviam em Jesus Cristo". Quais são os sentimentos que haviam em Jesus? São tantos, mas para ficar no texto de hoje podemos lembrar: solidariedade - acolhida - serviço. O v. 6 conclui que assim "todos juntos e a uma só voz dêem glória a Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo". O sentimento de acolhida mútua está expresso no v. 7. Como Cristo nos acolheu devemos a colher a todos. Isto para a glória de Deus. Os vv. 8-9 mostram que, a exemplo de Jesus, é preciso que haja união e acolhida mútua entre judeus e pagãos. A comunidade de Roma era composta de judeus e pagãos e talvez houvesse conflitos e dificuldades entre eles. Cristo trouxe a união e a reconciliação entre os povos. Cristo manteve a fidelidade de Deus sendo servidor dos judeus. E para os pagãos trouxe a misericórdia. Uniu, assim os dois povos de modo que todos possam dar juntos glória a Deus.
EVANGELHO - Mt 3,1-12
Quem é João Batista?
Um profeta no estilo dos profetas do Antigo Testamento. O deserto, onde ele pregava, indica que a novidade não está na cidade com seu sistema injusto e opressor.
Foi no deserto que o povo de Deus criou um novo modelo de vida. Seu modo de vestir e de se alimentar já denuncia a exploração e o consumismo da cidade. João realiza a profecia de Isaías. Ele anuncia a aproximação do reino. Ele prepara os caminhos do Senhor, pregando a conversão. A conversão consiste em romper com o sistema opressor da cidade. É esta sociedade que entorta os caminhos do Senhor.
O Povo simples se converte
Os vv. 5-6 mostram a caminhada de conversão do povo pobre e marginalizado, sedento de justiça. Eles confessam seus pecados e João os batiza. Eles querem romper com o sistema e começam uma vida nova.
Fariseus e Saduceus também? Não. Sua intenção é outra. Eles se aproximam para o batismo, mas no fundo pretendem apropriar-se do movimento popular iniciado no deserto. São eles os mantenedores do poder político, econômico e religioso. João é severo com eles. Eles são como cobras venenosas. O sistema deles gera morte. Não foram eles que geraram a morte de Jesus? Eles acham que são melhores do que os outros, porque são filhos de Abraão, mas João Batista exige prova de conversão; privilégios não bastam. A árvore que não produzir frutos será cortada e lançada ao fogo.
Quem é Jesus para João?
Jesus é Aquele que vai trazer ao mundo o julgamento de Deus. O critério decisivo será a justiça. Ele é mais forte que João e batizará com o Espírito Santo e com o fogo. Ele fará uma limpeza geral. Recolherá o trigo no celeiro. Quanto à palha (uma vida fútil, injusta e opressora) ele vai queimá-la no fogo que não se apaga.
3º DOMINGO DO ADVENTO (16/12/2007)
Iª LEITURA - Is 35,1-6a.10
Os capítulos 34-35 são chamados de "Pequeno Apocalipse de Isaías". Eles foram escritos depois do Exílio Babilônico (586-538 a.C.). É um anúncio do julgamento das nações opressoras e a restauração de Jerusalém.
Nosso texto fala do retorno a Jerusalém – Sião. Um novo êxodo vai acontecer e o povo oprimido e humilhado já pode se alegrar, pois verá a glória de Javé. Deus vingará Seu povo, salvando-o da mão dos opressores (v. 4). O texto é profundamente poético, cheio de entusiasmo e alegria. Quem fala tem convicção e certeza da força do Deus libertador. A vida é reconstituída com exuberância. O aspecto escatológico salta aos olhos nos primeiros versículos. Deserto, terra seca e campos vão se encher de flores, de vida, de alegria; serão como o esplendor do Líbano, a beleza do monte Carmelo e a planície do Saron. A beleza de Deus será apreciada por todos. O segundo aspecto, também em tons poéticos, é a reconstituição da vida humana, o encorajamento, o fortalecimento: mãos cansadas, joelhos cambaleantes, corações desanimados. Tudo é chamado a se fortalecer, endireitar, firmar, reanimar. Deus vem para salvar: cegos verão, surdos ouvirão, mudos cantarão e aleijados saltarão como cabritos. Javé reconstitui seu povo, cura-o, resgata-o. Todos voltarão para Sião com cantos de alegria. Tristeza e pranto fugirão. Prazer e alegria sem fim acompanharão a procissão do retorno do povo de Deus para a cidade de Deus.
IIª LEITURA - Tg 5,7-10
Quem ler os seis primeiros versículos do capítulo 5º vai perceber em Tiago a veemência dos profetas da justiça social, uma atitude e um palavreado muito próximo de Amós. A exploração dos ricos sobre os pobres, a retenção dos salários fazem com que Tiago fale coisas pesadas sobre os ricos. Diante de tanta opressão e miséria o pobre vai perdendo a esperança, ficando impaciente, e o desânimo de perseverar na luta vai tomando conta dele. Jesus está demorando muito para inverter esta situação. Diante deste sofrimento dos pobres e explorados, diante de sua impaciência e falta de perseverança, Tiago exorta a comunidade a assumir quatro atitudes concretas:
1. A paciência: "Irmãos sejam pacientes até à vinda do Senhor". O Senhor vai resolver este problema. O exemplo tirado da vida do campo é muito bonito e esclarecedor. É o exemplo do agricultor. Ele faz a parte dele, depois espera pacientemente o fruto precioso da terra, até receber a chuva do outono e da primavera. “Esta chuva é um sinal de que Deus não abandona o seu povo”.
2. A perseverança: O v. 8b diz: "fortaleçam os corações, pois a vinda do Senhor está próxima". É o apelo à atitude de perseverança. Só um coração forte, numa opção madura, é capaz de aguentar até o fim. O v. 11 dá o exemplo de Jó. Ele aguentou firme e Deus o recompensou de modo admirável, pois Deus é rico em compaixão e misericórdia.
3. A união: Está no versículo 9 com a recomendação de não se queixarem uns dos outros. É preciso deixar o julgamento para o Juiz supremo, que já está às portas.
4. O exemplo dos profetas: Aqui no v. 10 os profetas são modelos para os cristãos através do sofrimento e da paciência. Eles suportam todos os maltratos das lideranças injustas e opressoras, não desanimaram, não perderam a esperança nem o pique do anúncio, da denúncia e do testemunho e Deus os recompensou.
EVANGELHO - Mt 11,2-11
A missão de Jesus
João talvez tenha se surpreendido com Jesus. Por quê? Porque ele anunciou Jesus como um juiz severo que julgará os bons e os maus, separando-os como se separa o trigo da palha (cf. Mt 3,12). Jesus, entretanto, apareceu superando toda expectativa, trazendo vida aos marginalizados, vista para os cegos, saúde para os doentes, esperança para todos e até mesmo vida para quem estava morto. João da prisão manda perguntar a Jesus: "És Tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?" A resposta de Jesus não é teórica, mas prática. Apela para o discernimento através daquilo que o povo está ouvindo e vendo da parte dele. O que foi anunciado na primeira leitura (Is 35, 1ss) está acontecendo (cf. Mt 15,29-31). Quem tiver discernimento vai concluir que o Messias chegou, vai concluir que Deus visitou o Seu povo. No v. 6 Jesus conclui: "É feliz aquele que não se escandaliza por causa de Mim". Quem é capaz de se escandalizar de Jesus? Exatamente aqueles que se alimentam da exploração do povo a quem Jesus socorre.
Quem é João Batista para Jesus?
João é mais do que um profeta (v.9), o maior de todos os homens. Convicto de sua missão de precursor do Messias (v. 10), ele não se deixou levar pelo sistema (não era um caniço agitado pelo vento), nem concordou com a riqueza exploradora (não se vestia de roupas finas nem morava em palácios).
O menor do Reino de Deus é maior que João.
É curioso e interessante o que Jesus diz! Depois de tantos e tão grandes elogios a João Batista, inclusive dizendo que ele é o maior de todos os homens, Jesus conclui: "No entanto, o menor no Reino do Céu é maior do que ele". Ele apenas prepara as pessoas para o encontro definitivo com o Reino de Deus inaugurado por Jesus. E esse menor quem é? São, sem dúvida, aqueles a quem Jesus dedica suas ações miraculosas, seus ensinamentos, sua vida. São as crianças, os discípulos, os marginalizados, os pequeninos (cf. Mt 10,24; 11,25; 18,1-6).
4º DOMINGO DO ADVENTO (23/12/2007)
Iª LEITURA - Is 7,10-14
Hipocrisia e idolatria do rei Acaz
Estamos no tempo da guerra siro-efraimita, ano 734. Quem reina sobre Judá é Acaz. Síria e Israel cercam Jerusalém. A finalidade era acabar com a dinastia davídica, anulando as promessas de Deus a Davi, colocando no reino de Judá um rei estrangeiro. Na verdade, em 2Sm 7,12-16 Deus havia prometido a Davi que nunca lhe faltaria um descendente no trono. O povo está em situação difícil. Sua fé está em jogo, mas o rei Acaz está pouco preocupado com isso. Sua preocupação era o poder e para garantir seu poder já havia pedido socorro à Assíria (cf. 2Rs 16,7). Isso é absoluta falta de confiança em Javé, por isso ele é reprovado pelo profeta Isaías. Isto é trocar Javé pela força dos cavalos. É uma idolatria. Aliás, esse rei já foi capaz de sacrificar seu filho único aos ídolos (2Rs 16,3). Por tudo isso, Javé manda seu profeta desafiar o rei, para mostrar-lhe seu poder e proteção. Ele pode pedir qualquer sinal. Hipocritamente, Acaz responde que não quer pedir sinal nenhum, pois não quer tentar a Javé. Na verdade, ele já havia trocado a força de Javé pela força do exército assírio.
O sinal de Deus - v. 14
O profeta está chateado com o rei e Deus também. Ele já encheu a paciência de Deus com sua incredulidade e idolatria. Eis o sinal da fidelidade de Deus à suas promessas: "A jovem concebeu e dará à luz um filho, e o chamará pelo nome de Emanuel". A jovem é a esposa do rei. O grande sinal de Deus é uma criança - Ezequias - o filho de Acaz. Ele subirá ao trono e será esperança para o povo. Rompendo as barreiras do tempo e usando a Bíblia grega - a Septuaginta - onde o termo "jovem" (no hebraico) foi traduzido para o grego pela palavra "virgem", o Novo Testamento vê a profecia do Emanuel realizar-se plenamente em Jesus, o verdadeiro Messias que realiza as esperanças do povo. O evangelho de hoje diz: "Vejam: a Virgem conceberá e dará à luz um filho: Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco" (Mt 4,23).
IIª LEITURA - Rm 1,1-7
Os títulos de Paulo
Paulo se apresenta de um modo todo especial, porque a comunidade lhe é desconhecida. Ele se apresenta como servo, apóstolo e escolhido para o anúncio do evangelho. O termo servo mostra que Paulo está a serviço do evangelho, mas é também uma espécie de título honorífico, pois também Moisés, Josué, Davi e os profetas eram chamados de servos de Deus. É apóstolo sem ter conhecido Jesus pessoalmente, ou seja, sem pertencer ao grupo dos 12. Seu chamado ao apostolado foi de uma maneira miraculosa a caminho de Damasco. Ele foi escolhido para anunciar o evangelho aos pagãos.
Sua missão
É o anúncio dessa Boa Notícia. Ela foi antes prometida aos profetas. Ela se refere a Jesus, ao Filho de Deus. Como homem ele nasceu da família de Deus. Segundo o Espírito Santo, foi constituído Filho de Deus com poder, através da ressurreição dos mortos. O centro do seu evangelho é, portanto, Jesus Cristo, sua pregação, morte e ressurreição. Através dele Paulo foi chamado ao apostolado com uma finalidade específica - conduzir todos os povos pagãos à obediência da fé, para a glória do nome de Jesus. Com isto, Paulo já quer antecipar sua tese central: que a salvação se dá através da fé em Jesus Cristo e não através das obras da Lei (cf. 1,16-17).
O povo de Roma
Eles são os destinatários da carta (v. 7). Eles também foram chamados por Jesus Cristo à santidade. Eles são amados por Deus. A novidade do seu evangelho é exatamente o anúncio da salvação a todos os pagãos através da fé. Entre os pagãos está a comunidade de Roma. A esta comunidade Paulo deseja a graça e a paz, ou seja, o dom (graça) do amor e salvação de Deus, como também a plenitude dos bens messiânicos (paz) com sua abundância de vida.
EVANGELHO - Mt 1,18-24
O texto vai mostrar como foi a origem de Jesus.
a) Maria fica grávida pela ação do Espírito Santo
Em 1,1 fica já claro que Jesus é descendente de Abraão e de Davi para mostrar a continuidade da história do povo de Deus, como Deus realiza suas promessas. Se falamos de continuidade, podemos, ao mesmo tempo, falar de novidade. É o Filho de Deus que vai nascer entre os homens. Além disso, a gravidez de Maria acontece sem o concurso humano. Dá-se pela ação do Espírito Santo. São dois fatos absolutamente novos, só aceitos na fé. Entre os judeus havia duas etapas no casamento. A primeira era o contrato: durava um ano. Era só na segunda etapa que se podia conviver sob o mesmo teto. Maria encontra-se grávida nesta primeira etapa.
b) Os pensamentos de José e a revelação do anjo
Uma "noiva" grávida poderia ser denunciada pelo noivo e apedrejada. José era justo. Escolheu a solução melhor, abandonar Maria secretamente sem denunciá-la. Assim ninguém a prejudicaria. Mas, talvez, José quisesse se retirar exatamente, porque teria intuído a irrupção do mistério de Deus na vida de Maria, muito superior ao matrimônio que ele desejava contrair. Aí ele se curva diante do Onipotente, retirando-se, exatamente, porque um homem justo não oferece resistência à força do Altíssimo. Mas o anjo intervém e esclarece o profundo mistério do plano de Deus. O Espírito Santo de Deus está agindo em Maria. Ela dará à luz um filho e José tem a incumbência de lhe dar o nome de Jesus. O v. 24 afirma que José recebeu Maria em sua casa. O nome de Jesus indica sua missão. Jesus significa Deus salva, quer dizer, a missão de Jesus é a salvação dos homens. O v. 21 diz claramente: "Ele vai salvar o seu povo dos seus pecados". Mateus termina mostrando que em Jesus se realiza, em plenitude, a profecia de Is 7,14: "Vejam! a Virgem conceberá e dará à luz um filho. E será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco" (v. 23). Emanuel não é propriamente o nome de Jesus, mas indica o sentido da sua vida: presença de Deus no meio de nós.
MISSA DO NATAL 25/12/2007
Iª LEITURA - Is 9,1-6
O texto belíssimo do profeta começa fazendo referência aos territórios de Zabulão e Neftali, como um povo que andava nas trevas, porque tinha sido invadido pela Assíria. Seu anúncio é de esperança de libertação, carregado de alegrias messiânicas. A libertação se dá em três momentos:
- O 1º momento - Um clarão de luz - O povo envolto nas trevas da opressão vê uma grande luz de libertação, iluminando seu caminho.
- O 2º momento - A paz e a alegria da libertação se aproximam. A alegria é comparada com o momento da colheita e com a partilha dos despojos de guerra. O povo tem a satisfação de ver quebrada a causa da opressão, a vara das flagelações e o bastão do capataz. O texto faz referência à vitória de Gedeão em Madiã (cf. Is 7,15-25). Também se fará uma grande fogueira para se queimar os símbolos da opressão como a bota do soldado e a capa ensopada de sangue.
- O 3º momento - O nascimento do menino rei - Quais são as características desse menino? Ele se reveste de um manto real, portanto trata-se de um rei. Seus quatro nomes dizem tudo, São um acúmulo de esperança e otimismo. É chamado de Conselheiro Maravilhoso, "Deus Forte", Pai para Sempre e "Príncipe da Paz". O domínio do novo rei será grande e seu reino não terá fim. Seu governo será assegurado pelo zelo de Javé dos exércitos. É claro que um reino com todas essas características só pode se realizar plenamente em Jesus.
IIª LEITURA - Tt 2,11-14
A finalidade da carta de Tito é "recordar aos cristãos que a salvação foi trazida por Cristo". Pretende também traçar as grandes linhas de comportamento para a vida particular e social e ainda prover a organização das Igrejas. É dos anos 64-65. O centro da carta é a sã doutrina, isto é, a vontade salvadora de Deus e a salvação gratuita trazida por Cristo.
Nosso texto parte da dimensão fundamental da manifestação da graça de Deus em Jesus Cristo. Ela se manifesta para a salvação de todos os homens. Diante da graça salvadora de Deus temos um aspecto de ruptura: abandonar as paixões mundanas. Temos também o aspecto construtivo: a graça nos ensina o auto-domínio, a justiça e a piedade. Assim Jesus viveu, assim devemos viver. Esta vivência da graça nos fortifica: "na esperança da manifestação da glória de Jesus Cristo, nosso grande Deus e Salvador". "A manifestação de Deus muda o modo de compreender a vida". "Tudo agora está voltado para o esplendor da glória de Jesus, por ocasião da sua 2ª vinda". O v. 14 testemunha a fé dos primeiros cristãos na divindade de Jesus. Aqui temos as seguintes consequências da afirmação central da morte de Jesus na cruz:
* Ele quis resgatar-nos de toda a iniquidade.
* Ele quis purificar um povo que lhe pertence.
* Ele quer que sejamos zelosos nas boas obras.
As duas primeiras afirmações são ações já feitas por Jesus Cristo em nosso favor, mas a terceira depende de nós, que, como discípulos-missionários, devemos dedicar-nos à prática da justiça e à prática do bem.
Acreditamos de modo prático na obra de Jesus? Como encaramos o aspecto da ruptura e o aspecto construtivo?
EVANGELHO - Lc 2,1-14
Os capítulos 1 e 2 de Lucas (como também os capítulos 1 e 2 de Mateus) são uma releitura dos acontecimentos da infância de Jesus à luz de sua morte e ressurreição. Não se trata, portanto, de uma narração histórica, mas de uma leitura teológica da história da salvação. É preciso descobrir no relato o que o Evangelista de fato quer transmitir.
O recenseamento - Vem de um decreto do imperador e é realizado no tempo de Quirino, governador da Síria. Todo mundo tinha que se registrar em sua cidade natal. Qual era a finalidade do recenseamento? O controle, o domínio e a exploração dos grandes sobre os pequenos. José e Maria vão se registrar em Belém, cidade do rei pastor Davi, pois José era descendente de Davi. Maria estava grávida.
O nascimento - Em Belém, na cidade do rei-pastor, Maria dá à luz a Jesus, seu filho primogênito. É bom lembrar que o primeiro filho tem prerrogativas especiais e, então, sempre é chamado de "primogênito", mesmo se a mãe não tem outros filhos. Temos do ano 5 a.C. uma inscrição num túmulo judaico: A mãe morreu, mas o filho único é chamado com todo o direito de primogênito. Dizer que Maria teve outros filhos, pois, do contrário, não se chamaria Jesus de primogênito é desconhecer o costume da época. Jesus nasce pobre, numa pequena cidade da periferia, e na periferia da cidade, e, além disso, foi colocado num coxo de animais, pois não havia lugar para a família de Nazaré, dentro da casa de seus parentes, em Belém. Muito esquisito! Mas tudo está indicando que Jesus nasceu na pobreza extrema para se identificar e salvar os mais marginalizados. Além disso, a rejeição dos homens já está retro-projetada no seu nascimento. Lucas, certamente, quer fazer alusão ao abandono total com que Jesus sozinho enfrentou a morte, para a salvação de todos. Compare por exemplo 2,7a: "Maria enfaixou Jesus e o colocou na manjedoura" e 23,53, "José de Arimatéia enfaixou o corpo de Jesus e o colocou num sepulcro". Aqui é preciso observar que os caminhos de Deus são diferentes dos caminhos dos homens. Deus quer salvar os homens não a partir dos grandes e poderosos, mas a partir dos pequenos e marginalizados. "Não" para Roma, "não" para Jerusalém e "sim" para a pequena Belém. "Não" para o imperador Augusto, "não" para o governador Quirino e "sim" para a família pobre de Nazaré: Deus exalta os humildes e abate os poderosos.
Os destinatários da salvação
Quem anuncia a Boa Notícia do nascimento do Salvador? Os anjos de Deus. A quem? Aos pobres e marginalizados pastores de Belém. Estes marginalizados são envolvidos com a luz de Deus. A alegria deve se estender a todo povo. Mas o Messias nasce para os pastores (v. 1). São eles que devem levar esse evangelho (= Boa Notícia) a todo o povo.
Qual é o grande sinal de Deus?
Um recém-nascido envolto em faixas e deitado na manjedoura. Jesus nasce como empobrecido, migrante, marginalizado. São os caminhos de Deus. Os vv. 13-14 mostram a grande alegria de uma multidão de anjos do exército celeste, dando glórias a Deus pelo seu grande desígnio de amor pelos homens e desejando paz na terra.
SAGRADA FAMÍLIA - 30/12/2007
Iª LEITURA - Eclo 3,3-7.14-17a
Muitos judeus não moravam na Palestina e estavam perdendo suas tradições religiosas e culturais e assimilando a cultura e o modo de pensar de um povo estrangeiro. Este livro pretende ajudar estes judeus da diáspora a recuperar suas raízes e sua identidade, sua cultura e sua religião. O trecho que estamos lendo é um comentário do 4º mandamento: "Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra, que Javé teu Deus te dá (Ex 20,12). Este mandamento traz uma promessa: a de ter uma vida longa. O texto acrescenta mais duas promessas: o atendimento às orações (v. 5) e o perdão dos pecados (v. 3 e 14). É bom lembrar que o judeu alcançava o perdão dos seus pecados com um sacrifício oferecido no templo de Jerusalém. Agora, o autor sagrado apresenta uma novidade, mostrando o perdão não através do habitual rito exterior do sacrifício do Templo, mas através de uma atitude interior do profundo amor, respeito e dedicação aos pais. É uma grande novidade evangélica para um povo que morava em outro país, longe do Templo. Podemos lembrar ainda outras exortações do texto. Honrar pai e mãe é: ajuntar tesouros e garantir a alegria dos filhos. Para quem tem pais idosos uns conselhos especiais: amparar, não lhes causar desgostos, ser compreensivo, não humilhá-los. Deus não esquece o carinho e a atenção que dedicamos aos nossos pais.
IIª LEITURA - Cl 3,12-21
O relacionamento na comunidade
O fundamento de tudo o que nós vamos ler neste texto está no nosso batismo (cap. 2). O batismo é morte e ressurreição com Cristo. Morte para tudo o que conduz à morte e ressurreição para tudo o que conduz à vida (3,1ss). Pelo batismo nos tornamos o "povo santo de Deus, escolhido e amado”. Aqui o autor expõe toda a sua exortação. O 1º ponto forte é a misericórdia acompanhada daquilo que a caracteriza: bondade, humildade, mansidão, paciência e perdão. O modelo da misericórdia e do perdão a imitar é o próprio Cristo. Para destaque poderíamos colocar como 2º ponto o amor, porque o amor provoca a união perfeita, o amor cobre uma multidão de pecados (1Pd 4,8), o amor é a plenitude da lei. Um 3º ponto é a paz de Cristo, que deve ser a rainha do coração do cristão. Os cristãos são membros de um só corpo. Os membros do corpo não podem conviver em desavença.
O relacionamento na família
Há uma exortação especial para cada membro da família cristã. Para as esposas a docilidade e o amor. Para os esposos o amor-doação e a delicadeza ("não sejam grosseiros"). Para os filhos a obediência. Para os pais o cuidado de não irritarem os filhos. Os pais nunca devem ser motivo de desânimo para os filhos, mas de estímulo e de coragem para que eles possam viver profundamente seu batismo.
EVANGELHO - Mt 2,13-15.19-23
Fuga para o Egito
No texto de hoje, o meio de Deus se manifestar a José é através de sonhos (vv. 13.19). Os sonhos são, de fato, "a janela da alma de uma pessoa", lugar sagrado das manifestações de Deus e do encontro das pessoas com Deus. É assim que pensa o povo da Bíblia. Por trás do episódio de hoje temos a descida de Jacó ao Egito (Gn 46,1-4) como também as ameaças do Faraó contra Moisés (Ex 4,9). Sob as ordens do anjo do Senhor, a Sagrada Família deve emigrar para o Egito, pois Herodes quer matar o Menino Jesus. Depois da morte de Herodes, eles devem retornar. Percebe-se no texto de hoje uma clara inversão. O Egito opressor se torna terra de refúgio, e a Terra Prometida virou Egito opressor, pois é na Judéia que mora o "novo faraó" - O rei Herodes, que está transformando o país num lugar de escravidão e morte. Jesus, para Mateus, é o novo Moisés, que libertará o povo da opressão: "Do Egito chamei meu filho".
Retorno para Nazaré
Obediente à palavra do anjo, José retorna com Jesus e Maria. Sabendo que Arquelau ocupou o lugar do seu pai Herodes, José teve medo de ir para lá, pois Arquelau herdou a maldade e a crueldade de seu pai. Ele se dirige, então, para Nazaré, na Galiléia (22-23a).
As profecias se cumprem: "Ele será chamado Nazareno"
Quais são as profecias? Aqui está um problema, pois esta frase não se encontra no Antigo Testamento. Talvez as profecias sejam relacionadas com todas as possibilidades da raiz hebraica da palavra Nazareno. Assim poderíamos citar (Jz 13,5.7): "nazer" = consagrado: Jesus é o consagrado por Deus para a libertação do povo. Is 11,1: "necer" = broto. Jr 23,5;33,15: "cemar" = germe. Nestes últimos dois textos, Jesus seria a árvore da vida, aquele que traz vida para todos. Is 42,6;49,8: "naçar" = guardar, daí "naçur" = resto. Jesus assume e guarda o "resto" do povo, os pobres e excluídos que esperam a libertação. Assim, para Mateus, Jesus é o novo Moisés, consagrado por Deus para libertar seu povo, considerado o resto de Israel, povo sofrido e excluído. Jesus vai trazer vida para todos.
Dom Emanuel Messias de Oliveira
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Diocese de Guanhães